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A mostrar mensagens de outubro, 2025

Então? Como correu a tua noite?

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  Despertar em Budapeste foi como acordar dentro de um sonho que te puxa pelo pulso e te sussurra “fica mais um pouco”. Principalmente quando abri as grandes janelas daquele hotel que flertava descaradamente com o Danúbio - sim, ele piscava, eu tenho a certeza. Ainda com os olhos meio cerrados, o telefone vibra. Do outro lado, uma voz envolta num filtro de mistério matinal: “Então? Como correu a tua noite? Ainda esperei por ti no bar, mas não te vi…” Era Lorena. A surpresa deslizou no meu peito como manteiga quente. Um misto de: que maravilha ter bons amigos e wow… ela estava à minha espera? Prometeu encontrar-me no pequeno-almoço. Eu, claro, fiz o que qualquer mortal faria: agradeci, fingi naturalidade, e depois sorri feito idiota para o teto. A sala do pequeno-almoço… meu Deus. Uma cascata interior sussurrava poesia líquida, cheiro de café forte, fruta fresca brilhando como jóias tropicais, croissants bronzeados com vaidade, e eu, ali -   mortal entre vitaminas. E entã...

Mulheres desenhadas com vestidos colados!

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  Quando abri as janelas, ainda a madrugada se espreguiçava em silêncio. O dia, tímido, espreitava detrás de um véu de nevoeiro que beijava a cidade e namorava o rio — um namoro antigo, daqueles que nunca se assumem, mas que toda a gente sente. O frio entrou pela janela como um amante tardio, atrevido, e arrepiou-me a pele. Coloquei música alegre enquanto o vapor do duche transformava o espelho num palco de fantasmas e recordações. A água quente escorria-me pelo corpo com uma ternura quase erótica, lavando o sono e reacendendo o desejo de viver - ou, talvez, de reviver. Na sala de pequenos-almoços, o mundo parecia dançar. O jardim em frente cintilava com as primeiras luzes da manhã, e dentro da sala havia flores humanas — mulheres desenhadas com vestidos colados, sorrindo com um ar provocador. Moviam-se com a suavidade de quem faz amor ao som de uma melodia secreta. As mesas eram altares de cor e aroma: frutas, pães dourados, café forte a perfumar o ar. O cheiro das torradas le...

Nas relações só ganha quem não quer ganhar!

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  Quando despertei em Koshice, abri as janelas e respirei o silêncio. Era um silêncio vivo, pulsante, quase divino - como se a própria natureza, em sua infinita paciência, me embalasse num cântico mudo. À minha frente, a segunda maior cidade da Eslováquia repousava tranquila, serena, bela - um tesouro escondido no coração da Europa Central, bem perto da guerra na Ucrânia, mas distante de qualquer ruído humano. O rio Hornád corria lento diante dos meus olhos, refletindo o céu pálido e as copas das árvores, como um espelho de paz. O ar era puro, fresco, quase líquido. Um banho frio devolveu-me a vitalidade, e, ao descer para o pequeno-almoço, descobri um cenário de cores e aromas que pareciam ter sido pintados pela própria manhã. Na ampla sala de janelas abertas para um jardim minuciosamente cuidado, a mesa era um festival de vitaminas e poesia: sumos de laranja e framboesa a cintilar em copos altos, pão quente que exalava um perfume doce de trigo, frutas cortadas em tons de sol ...

Poder, dinheiro e fama — Três deuses modernos.

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  Saí de Viena com o coração cheio — cheio de beleza, de cultura, e de uma estranha melancolia. Havia em mim o desejo íntimo de um dia ver a minha cidade respirar com a mesma harmonia e disciplina, com a mesma educação cívica que em Viena se sente até no silêncio das ruas. Enquanto o motor do carro despertava, senti o peso das ambições humanas a dançar nos meus pensamentos. O poder, o dinheiro, a fama — três deuses modernos que comandam os gestos, moldam os sonhos e corroem a alma. O ser humano, em sua ânsia de ser eterno, esquece-se tantas vezes de simplesmente ser. O pequeno-almoço, tomado horas antes, permanecia na memória como uma pintura viva. A sala, mais museu que refeitório, exalava o perfume discreto do luxo: luz filtrada por cortinas de linho, porcelanas finas, frutas que brilhavam como joias. Carreguei as malas, respirei fundo e segui em direção à Eslováquia. A estrada desenrolava-se como uma fita de seda entre colinas verdes e bosques silenciosos. O céu, coberto d...

Do conhecimento ao reconhecimento!

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  Acordar em Viena é despertar para uma outra dimensão do mundo. É abrir os olhos e sentir que o tempo aqui dança ao som de Mozart, sussurra com Beethoven e rodopia com Strauss. É sentir-se embalado pela harmonia que paira no ar e pela elegância que a cidade exala, onde até os pombos parecem ter estudado música clássica. Enquanto a água morna do banho deslizava pelo corpo, olhava pela janela o Danúbio — sereno, altivo, quase filosófico. “Como pode um rio ser tão sábio?”, pensei. Talvez Freud tivesse uma explicação, afinal, estava na sua cidade, o berço da psicanálise. Viena não é apenas um lugar, é um estado de espírito. E o meu espírito, ainda sonolento, já ansiava por conhecimento e reconhecimento — dois irmãos inseparáveis da alma humana. Decidi reforçar as energias com um pequeno-almoço vienense digno de imperador: café forte, pães frescos, compotas, e um aroma de baunilha que prometia redenção. Depois, saí à descoberta desta cidade que respira história e refinamento. Com...

No Silêncio da ausência!

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  Despertei em Salzburgo, com Mozart a sussurrar-me ao ouvido. A sua música parecia deslizar pelas paredes do quarto, como se o próprio espírito do compositor me desse as boas-vindas à terra onde nasceu. O sol, tímido, filtrava-se pelas cortinas pesadas, e o ar fresco da manhã trazia um perfume leve de pão acabado de cozer e flores húmidas. Depois de um banho refrescante, desci para tomar o pequeno-almoço — e ali, no salão do hotel, o tempo pareceu abrandar. As colunas de mármore refletiam a luz suave dos candelabros, e o silêncio era tão denso que até o som da manteiga a espalhar-se sobre o pão parecia música. Um pequeno-almoço à moda austríaca: pães dourados e crocantes, manteiga fresca, compotas doces como promessas, fruta cortada em pedaços perfeitos e um café forte, quase divino, que despertava não apenas o corpo, mas também a alma. Pela frente esperava-me uma viagem até Viena de Áustria. O céu estava cinzento, mas sereno, como se anunciasse chuva e depois mudasse de ideia...

E lá fomos nós, eu com a curiosidade às costas e ela com o violino!

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  Acordei com a serenidade que só uma noite tranquila em Salzburgo pode oferecer. Ao abrir a janela do meu quarto, o rio Salzach espreguiçava-se diante dos meus olhos, deslizando preguiçoso sob o olhar distante dos Alpes. Que maravilha. Um quadro perfeito para começar um dia que prometia ser… surpreendente. Do outro lado do rio, a cidade dividia-se como duas personalidades de um mesmo corpo: de um lado, Altstadt, a cidade antiga — medieval, barroca, exclusivamente pedestre, um verdadeiro museu a céu aberto; do outro, Neustadt, moderna e prática. Entre ambas, o Salzach corria, testemunha silenciosa do tempo e das histórias que ali se cruzavam. Foi em Altstadt que nasceu Mozart, o prodígio rebelde que transformou notas em eternidade. A sua casa é hoje museu, guardando entre vitrinas os instrumentos de uma infância que ecoa em cada acorde tocado nesta cidade. Mas chega de história — o banho chamava e a curiosidade também. O hotel era um charme: romântico, acolhedor, decorado com c...

Quando estamos sozinhos, só nos resta decidir: solidão ou solitude!

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  Despertei no meio da noite em Munique, com o coração inquieto e o corpo ainda quente de um sonho que já não recordava. Abri a janela do hotel e deixei que o ar fresco da madrugada me tocasse o rosto — um arrepio percorreu-me a pele, lento, como um sussurro que não se quer calar. O quarto mergulhava num silêncio elegante, interrompido apenas pelo murmúrio distante da cidade que dormia. A luz do candeeiro, suave e amarelada, desenhava sombras sobre a parede. Foi então que o vi — o grande espelho ao lado da cama. Aproximei-me. Olhei-me, depois olhei para dentro. Talvez falasse comigo, ou com o outro eu — aquele que nunca dorme, o que observa todos os meus gestos, o que sabe o que escondo até de mim. Sorri-lhe. Ele devolveu-me o sorriso. Este sou eu, sozinho, olhando para o nada no meio de tudo, numa cidade onde as antigas cervejarias se encontram ao lado de museus de vanguarda e os parques verdejantes são o pano de fundo das indústrias de alta tecnologia. Mas viajar sozinho ...

Não te ausentes, não te feches, nunca desistas de ti!

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  Acordar no centro de Munique, numa suíte digna de reis, foi como emergir de um sonho das “Mil e Uma Noites” — desses que misturam mistério, perfume e fantasia. A seda dos lençóis ainda guardava o calor do meu corpo quando o toque do telefone me arrancou do devaneio. Era a minha melhor amiga. A sua voz vinha embargada, cheia de dor e solidão. Senti as lágrimas escondidas entre as palavras, e tentei, à distância, abraçá-la com a calma que não tinha. Quando estamos tristes levantamos os olhos para o céu como quem busca respostas... ou só um pouco de paz. E, neste silêncio entre o mundo e o infinito, uma lágrima escorre no nosso rosto, leve solitária, como se fosse um pedaço de dor querendo voar. Não te ausentes, não te feches, nunca desistas de ti. Há momentos em que Deus parece ser o único que nos entende. Olhamos para o céu em silêncio e deixamos escorregar uma lagrima, como um acordo secreto entre o que estamos a sentir e o que não conseguimos explicar. Não ser amada dói, m...