E então nasce a ditadura – ou escravatura - da imagem. Uma tirania subtil, silenciosa, onde não há leis escritas, mas há punições claras.
Despertei em Monaco-Ville com a mesma sensação com que adormeci - um eco persistente, como se a noite não tivesse terminado, apenas mudado de luz. Há algo de estranhamente constante no que julgamos efémero: todos os dias são diferentes, mas todos carregam uma repetição silenciosa, quase irónica, como uma piada interna que o tempo insiste em contar. Basta inclinar o olhar, só um pouco, e lá está - o mundo tingido num cinzento discreto, não deprimente, mas pensativo… como se também ele estivesse a ponderar as suas escolhas. Valeu-me o banho. A água a cair não como rotina, mas como absolvição - fria o suficiente para acordar o corpo, quente o bastante para convencer a alma a ficar. Valeu-me o café da manhã, esse ritual quase sagrado: o aroma do café acabado de fazer a infiltrar-se nos pensamentos ainda turvos, e o pão quente, estaladiço, a desfazer-se lentamente sob a manteiga, como um romance breve, mas intenso, daqueles que sabemos que não duram… e ainda assim repetimos. E depo...