Please do not disturb!
Adormeci a pensar que há dias que não pedem mais do que isso: um final bonito, uma melodia persistente e a certeza íntima - quase arrogante - de que, por instantes, estivemos exatamente onde devíamos estar. Despertei com o mesmo sentido: sereno, como se a noite tivesse passado a ferro as inquietações. Fui à janela. O Adriático estendia-se diante de mim com aquela calma que só o mar conhece quando já viu tudo. Espreitei-o como quem se despede sem dramatismos, com a elegância discreta de um “até breve” dito em silêncio. O céu não exibia um sol aberto; preferia uma luz filtrada, amena, cúmplice - dessas que não queimam a pele nem os pensamentos. Rejuvenesci num banho refrescante, quase ritualístico, como se a água lavasse não só o corpo, mas também as camadas de ontem. Depois, a sala de pequenos-almoços recebeu-me com promessas simples e eficazes: café forte, pão com manteiga, fruta fresca… e, contra todas as probabilidades do meu histórico pessoal, ovos escalfados. Confesso: se...