Depois, despedimo-nos num abraço prolongado demais. Talvez um beijo envergonhado - ou não…
Acordei em Escópia com o corpo ainda preso ao pouco sono da noite anterior: a cama parecia ter íman, um abraço magnético, e as minhas pestanas insistiam em permanecer coladas, como se quisessem prolongar um sonho que já não lembrava. Com um esforço quase heroico, ergui-me. Foi então que reparei num envelope deslizado por baixo da porta, pousado no chão como um segredo à espera de ser descoberto. O elegante papel timbrado do hotel brilhava na penumbra do quarto. Abri-o. “Good morning, Mauricio!” Em inglês impecável, a carta saudava-me como se já me conhecesse. Desejava que o meu descanso tivesse sido tão generoso quanto as vistas que me aguardavam. Dava-me as boas-vindas a Escópia, essa capital que pulsa entre colunas clássicas e betão contemporâneo, entre memórias de impérios e a pressa de uma Europa moderna. Lá fora, dizia a carta, o rio Vardar brilhava como um convite e a cidade despertava comigo. A assinatura era simples: “Jana”. Aquela caligrafia - elegante, ligeiramente in...