Para onde os vamos arrumar?
Não há solução sem escolha. E escolher implica perder alguma coisa. Implica dizer “não” a interesses que gritam mais alto do que as necessidades. Acordei em Zurique como adormeci: suspenso nesse fio invisível que separa a tristeza da gratidão - como se o coração, indeciso, recusasse escolher um lado e preferisse ficar ali, em equilíbrio instável, mas estranhamente honesto. Há algo de profundamente humano nesse estado intermédio, quase como um cais onde atracam sentimentos que não sabem ainda se partem ou se ficam. Porque, no meio desta viagem - entre estradas frias e pensamentos quentes, entre o silêncio das montanhas e o ruído íntimo de quem pensa demais - tenho encontrado pessoas que não pedem protagonismo, mas deixam marcas. Pequenos gestos, palavras soltas, presenças inesperadas. Como migalhas de humanidade num mundo que tantas vezes se esquece de ser humano. E talvez seja isso que nos sustenta: não os grandes acontecimentos, mas os detalhes quase invisíveis que nos imped...