Como imaginas um mundo perfeito... ou menos imperfeito?
Despertei em Norwich carregado de energia, como se durante a noite alguma força invisível tivesse renovado cada fibra do meu corpo. Havia em mim uma urgência, impossível de ignorar, uma necessidade quase física de caminhar sem destino e deixar que a cidade se revelasse aos poucos, camada após camada, como um manuscrito medieval. No dia anterior já tinha sentido algo semelhante nas ruas de Cambridge. Uma vibração. Uma presença. Uma frequência que não pertencia inteiramente ao mundo visível. Enquanto percorria as ruas estreitas da cidade universitária, ouvira passos ao meu lado. Passos leves. Delicados. Passos que cruzavam com os meus num bailado invisível. Não via ninguém. Mas sentia-a. Era bailarina. Dançava ao meu lado com uma leveza que parecia desafiar as leis da matéria. Cada movimento era um convite silencioso, uma coreografia de pura sensualidade desenhada no ar. Os seus braços fluíam como fitas de seda, contornando o meu corpo à distância exata de um suspiro. Havia nela uma ...