Cá se fazem, cá se pagam…


Despertei em Livorno já o sol entrava, pela janela do meu quarto - como fazem certas verdades inconvenientes: chegam, iluminam e não explicam nada. Abri os olhos devagar, como quem teme confirmar uma suspeita, e lá estava outra vez aquele déjà vu. O mesmo arrepio subtil, a mesma sensação de ter regressado a um lugar que nunca tinha sido meu… ou que sempre foi.

Abri a janela e lá estava o Mar da Ligúria, sereno, com um azul tão intenso que parecia uma ideia antes de ser cor - como se alguém tivesse pensado o infinito e, por descuido, o tivesse deixado escorrer até à superfície da água. E foi aí que me atravessou essa sensação incômoda e familiar: eu já tinha estado ali. Não “antes”, como quem visita duas vezes o mesmo café e reclama do atendimento na segunda vez - não. Era um “já” mais profundo, mais insolente, quase ofensivo para a lógica.

Essas são as perguntas perigosas. As que não pedem resposta, apenas desorganizam o mundo. Dizem-nos que o tempo é uma linha. Bonito, simples, fácil de desenhar num guardanapo enquanto se bebe um bom vinho e se fala de destino como se fosse um plano de férias. Mas e se essa linha for apenas um truque de perspetiva? Um erro conveniente? Talvez não caminhemos do passado para o futuro - talvez estejamos espalhados, como tinta num manuscrito antigo, ocupando várias frases ao mesmo tempo, sobrepostos, ilegíveis à primeira leitura.


E se a alma - essa entidade que tanto romantizamos como se fosse uma influencer espiritual - não estiver a evoluir, mas sim a experimentar tudo de uma vez? Sem hierarquia, sem sequência, sem esse conforto infantil do “vai melhorar”. Talvez não haja escada nenhuma. Talvez haja apenas um colapso contínuo de experiências: dor, êxtase, medo, amor… tudo simultâneo, tudo agora.

Olhei o mar outra vez. Continuava ali, indiferente às minhas teorias quase geniais - quase, porque a genialidade completa é sempre suspeita. Tentei encaixar as peças desse puzzle absurdo com uma lógica que já vinha de fábrica defeituosa. E então pensei: e se este exato lugar - este azul, esta luz - for também o cenário onde, ao mesmo tempo, um antepassado meu, luta para não morrer de frio ou fome… enquanto uma descendente minha caminha entre cidades que ainda não existem, feitas de vidro, silêncio e talvez alguma arrogância tecnológica?

O mistério, dizem, está na memória. Mas talvez esteja na interferência. Aquele déjà vu súbito - esse arrepio que nos apanha desprevenidos - pode não ser uma lembrança. Pode ser uma sobreposição. Como duas rádios mal sintonizadas, partilhando a mesma frequência por acidente. Uma versão de mim capta outra. Um medo inexplicável talvez não seja meu. Talvez pertença a alguém que sou… noutro ponto que insiste em não ser “outro”.


E se a perfeição não for chegar a algum lado - que conceito exaustivo, esse de “chegar” - mas sim o momento em que todas essas versões se alinham? Quando tudo vibra na mesma frequência, sem ruído, sem conflito, como um acorde impossível que, ainda assim, faz sentido? Um instante onde tempo e espaço deixam de ser categorias úteis e passam a ser apenas… decoração. Nesse caso, não estamos a caminhar para lado nenhum. Estamos só a tentar acordar. O que, convenhamos, é muito mais difícil do que parece - especialmente antes do café.

Hum… fechei a janela. Tomei um banho gelado, porque às vezes o corpo precisa de lembrar à alma que ainda há regras físicas - mesmo que sejam temporárias. E segui o aroma do café forte, antes que a hora do pequeno-almoço terminasse. Afinal, iluminar o universo é bonito… mas ninguém o faz bem com fome.

Depois passei pela receção para recolher as dicas prometidas da Graziela. Estava ocupada com um check-in com turistas carregando malas suficientes para uma pequena mudança de vida - ou, no mínimo, para sustentar três versões de si próprios por dia: a pessoa da manhã, a da tarde e a da noite, cada uma com um figurino digno de uma narrativa paralela. Fiquei a imaginar se também trocariam de personalidade com a mesma frequência. Eu, fiel ao meu minimalismo quase teimoso, limitei-me a ajustar a mochila às costas e a lançar-me ao desconhecido com a arrogância tranquila de quem acredita que se perde melhor sozinho.


Livorno revelou-se como essas pessoas que não são imediatamente belas, mas que nos prendem pela forma como olham - ou, neste caso, pela forma como respiram. Não há aqui a perfeição ensaiada da Toscana clássica; há antes uma espécie de desalinho poético, uma melancolia salgada que se infiltra nos ossos. Os canais, sinuosos como pensamentos que recusam linearidade, refletem uma luz dourada que parece existir apenas para quem se atreve a abrandar. E eu abrandei - talvez pela primeira vez naquele dia.

No bairro de Venezia Nuova, senti-me dentro de um sonho que não era meu, mas que, ainda assim, me acolhia. As águas quietas escondiam segredos antigos, como se cada ondulação fosse uma frase sussurrada por alguém que já não está. Havia qualquer coisa de misteriosamente íntimo naquele silêncio líquido. E, no entanto, ali estava eu, intruso voluntário, a tentar decifrar um idioma feito de reflexos.

As fortalezas erguiam-se com uma dignidade quase irónica - estruturas criadas para defender, agora abertas à contemplação de quem nada tem a conquistar. Caminhei pelas muralhas da Fortezza Vecchia e da Fortezza Nuova com aquela sensação estranha de estar entre tempos, como se o passado e o presente tivessem decidido fazer uma trégua apenas para me observar. Lá em cima, o vento trazia histórias que eu não compreendia totalmente, mas que, ainda assim, me tocavam com uma familiaridade inquietante.


Pensei em Modigliani. Nos seus rostos alongados, nos olhos vazios que dizem tudo. Há cidades que explicam artistas; Livorno não explica - insinua. E talvez seja isso que a torna perigosa. Obriga-nos a sentir antes de entender. E sentir, como sabemos, é um território onde raramente saímos ilesos. Mas foi na Terrazza Mascagni que a cidade decidiu revelar o seu truque final. O pavimento em xadrez estendia-se como um tabuleiro infinito onde o destino joga connosco sem nos ensinar as regras. Sentei-me ali, entre o céu e o mar, e percebi que aquele lugar não era apenas um cenário - era um estado de espírito. O sol começava a descer com uma lentidão quase provocadora, como se soubesse que todos o esperavam. E talvez soubesse mesmo.

Foi então que o aroma me encontrou. Não fui eu que escolhi o restaurante - foi ele que me escolheu a mim, com aquela autoridade silenciosa de quem sabe exatamente o que faz. Metade da sala abria-se para o exterior, como se recusasse separar a experiência do mundo que a rodeava. Sentei-me sem pressa, já rendido.

O peixe chegou como uma promessa cumprida. Um branzino assado, inteiro, com a pele estaladiça e dourada, quase a brilhar sob um fio generoso de azeite. Ao primeiro corte, a carne revelou-se macia, húmida, delicadamente perfumada com ervas frescas e limão. Cada garfada era um equilíbrio improvável entre simplicidade e sofisticação - como se o mar tivesse decidido mostrar o seu lado mais elegante. Acompanhei-o com um vinho branco da Toscana, fresco, mineral, com notas cítricas que dançavam na boca como uma provocação subtil. Não era apenas um vinho - era uma conversa. E, ao contrário de muitas, esta fazia sentido do início ao fim.


Confesso que, por momentos, considerei parar ali. Terminar no auge, como fazem os inteligentes. Mas a sobremesa apareceu como uma tentação impossível de ignorar - uma panna cotta caseira, delicadamente firme, coberta com um coulis de frutos vermelhos que equilibrava doçura e acidez com uma precisão quase cruel. Era leve, mas marcante. Como certas despedidas.

Por um instante - ou vários, porque o tempo ali parecia dobrar-se sobre si mesmo – fiquei por ali. Simplesmente fiquei. Não havia urgência, não havia destino, apenas o suave teatro do quotidiano: talheres a tilintar, vozes em italiano a dançar no ar, o sol a escorrer pelas mesas como mel lento. E foi ali que voltei a repiscar a minha linha de pensamento, como quem reacende uma fogueira com cinzas ainda quentes.

E pensei: talvez não seja bem assim. Talvez a ideia de que as nossas vidas se desenrolam uma após a outra seja apenas uma simplificação confortável - uma mentira útil, daquelas que nos deixam dormir melhor. E se tudo estiver a acontecer agora? Não como uma metáfora poética, mas como uma estrutura real, brutalmente simultânea. Todas as versões de mim - o que fui, o que sou, o que poderia ser - coexistindo como camadas de uma mesma música.

Nesse caso, o karma deixa de ser uma dívida adiada, uma espécie de contabilidade cósmica gerida por um funcionário invisível. Não. Passa a ser ressonância. Imediata. Crua. Sem burocracia espiritual. “Cá se fazem, Cá se pagam” - mas talvez o pagamento não seja no futuro. Talvez seja… agora. Em todos os “agoras”. Se eu perdoo alguém neste instante, talvez não esteja apenas a ser magnânimo ou evoluído - ou a tentar convencer-me disso, que também acontece. Talvez esteja a libertar uma outra versão minha - uma que, noutro plano, se encontra presa, envenenada pela vingança, mastigando rancor como se fosse pão duro.


Romântico, não é? Ou desesperador. Depende da luz. Nesta lógica, a cura deixa de ser linear. Não se trata de “resolver o passado” para melhorar o futuro. Trata-se de afinar o presente absoluto - esse ponto impossível onde tudo converge. Como se cada decisão fosse um ajuste de frequência numa rádio multidimensional onde todas as minhas vidas estão a tocar em simultâneo.

Se o tempo fosse linear, seria fácil: caminho A ou caminho B. Escolhe, assume, segue em frente, erra com dignidade. Mas no tempo simultâneo? Ah… aí já não há essa inocência. Cada escolha tua não é um passo - é uma vibração que atravessa todas as tuas versões. Um pequeno gesto aqui pode ser um terremoto algures noutra existência tua. Bonito. E ligeiramente aterrador. Responsabilidade ampliada, chamam-lhe. Eu chamo-lhe falta de descanso.

Talvez isso explique o déjà vu de ontem à noite, quando entrei no hotel. Não foi só familiaridade - foi orientação. Uma espécie de bússola interna, como se outra versão minha já tivesse passado por ali e deixado migalhas de intuição para eu seguir. Um bilhete silencioso: “confia, já estivemos aqui”. Ou então era só cansaço e vinho. Também é uma hipótese - convém manter algum ceticismo para não enlouquecer com elegância.

E se for verdade? Se todas as minhas versões comunicam através desse “vácuo” temporal - não com palavras, mas com impulsos, pressentimentos, desconfortos inexplicáveis? Nesse caso, a tal “iluminação” deixa de ser um troféu distante, conquistado ao fim de milénios de sofrimento bem-comportado. Talvez seja apenas um estado de lucidez total - o momento em que deixo de ser um ponto e passo a ser a constelação inteira. Quando o camponês, o político, o astronauta - e provavelmente uma versão minha que fez péssimas escolhas capilares nos anos 30 - se reconhecem mutuamente e dizem: “ah… então eras tu.”


Bonito. Quase comovente. E profundamente inconveniente. Porque, nesse cenário, as dificuldades que enfrento hoje podem não ser “minhas” no sentido clássico. Podem ser ecos. Vibrações de batalhas que outra versão minha está a travar neste exato instante - noutro tempo que não é tempo. O que significa, essencialmente, que posso estar a pagar por decisões que nunca me lembro de ter tomado.

Fantástico. Mesmo. Adoro quando a existência decide complicar-se sem aviso prévio. Hum… isto é complicado demais para a minha capacidade de entendimento. E talvez ainda bem. Se compreendêssemos tudo, provavelmente não sairíamos da cama. De qualquer modo, lá diz o ditado: mais vale prevenir do que remediar. Se as minhas escolhas de agora ecoam por todas as minhas existências, então talvez seja prudente começar a agir como se cada gesto tivesse consequências… universais. Não por moral elevada - sejamos honestos - mas por puro interesse próprio multidimensional. Não vá o meu “outro eu” andar por aí a pagar contas de um jantar que nunca pediu.

Olhei para o relógio. O tempo - ou a ilusão dele - continuava a avançar com a sua habitual arrogância. Sorri, abandonei os pensamentos - ou fingi que abandonei, que é o máximo que se consegue nestas coisas. E saí. A cidade esperava-me. Afinal, era para isso que ali estava. Ou pelo menos era isso que dizia a mim próprio, como quem repete um feitiço para não admitir que, no fundo, procurava qualquer coisa mais difícil de nomear.


Em poucos minutos já estava na Terrazza Mascagni. O chão, um tabuleiro infinito de azulejos pretos e brancos, parecia um jogo de xadrez onde ninguém sabia quem era o rei. Caminhei sobre ele com a arrogância discreta de quem finge saber para onde vai, enquanto o mar, ali ao lado, respirava lento, como se guardasse segredo da minha carta de amor que lancei engarrafada ao mar em Constança e tivesse preguiça de o contar. O vento trazia sal e promessas - dessas que nunca se cumprem totalmente, mas que insistimos em acreditar.

Segui depois para o Mercato delle Vettovaglie. Ali, o mundo era outro: vozes, cheiros, cores, vida crua e exposta como fruta madura. Pensei que talvez a verdade estivesse sempre nestes lugares - onde nada tenta ser mais do que é. Ou talvez fosse só fome disfarçada de filosofia barata. Comprei nada, observei tudo. Um especialista em não pertencer.

Passei pelo monumento dos Quatro Mouros. Imóveis, presos em bronze, olhavam o horizonte com uma resignação que me pareceu familiar. Há uma certa dignidade em aceitar as correntes - desde que se finja que são escolhas. Sorri com ironia. Afinal, quem sou eu para julgar estátuas, se vivo acorrentado a memórias que já nem sei se são minhas?

Pensei no Santuario di Montenero. Lá no alto, prometia vistas amplas, respostas talvez, ou pelo menos a ilusão delas. Mas ficava distante - e as minhas baterias, essas traidoras modernas e emocionais, já estavam em modo de sobrevivência. Às vezes desistimos de subir colinas não por falta de tempo, mas por excesso de cansaço acumulado em coisas que não se dizem.

O sol já tinha desaparecido quando decidi regressar ao hotel. A noite chegava sem autorização, como fazem as melhores - ou as piores - histórias. E, confesso, havia um conforto quase indecente na ideia de voltar às sandes do Gabriele. O homem tinha transformado pão e recheio numa espécie de religião portátil. Talvez fosse isso que procurávamos todos: algo simples que nos salvasse do absurdo.


Sentei-me. Pedi o habitual, como quem aceita o próprio destino sem grandes negociações. E então, como se a narrativa tivesse decidido finalmente colaborar comigo, apareceu Graziela. Sentou-se ao meu lado com uma naturalidade perigosa - daquelas que desarmam mais do que qualquer declaração. Pediu desculpa pela manhã, como se o tempo pudesse ser remendado com palavras. “Como correu o teu dia? Conta-me tudo. Vou pedir uma coisa igual à tua para jantar também.” Pausou, olhou-me com um brilho que não vinha só da luz ambiente. “Já terminei o meu turno e agora o tempo corre por minha conta. Neste caso… por tua conta. Depois olhou para mim, inclinou-se ligeiramente e disse, num sussurro que parecia mais uma promessa do que uma frase: “La notte è nostra.” Sorri, não tanto pelo significado, mas pelo modo como aquelas palavras se colaram ao ar, como perfume caro ou pecado iminente. Havia ali qualquer coisa de aventura, de perigo suave, de convite a um mundo paralelo onde as regras eram… opcionalmente ignoradas.

Olhei novamente para Graziela. “A noite é nossa enquanto durarem as minhas pilhas” - repeti, desta vez com outro peso. Ela sorriu, como quem sabe que algumas noites não são feitas para excessos… mas para revelações. Depois de mais duas cervejas geladas - dessas que escorrem pelo copo como promessas mal cumpridas - e mais duas sandes indecentemente carregadas de maionese - porque a vida, tal como o amor, exige excessos bem calculados – a noite começava finalmente a render-se. Mas há noites que não acabam: transformam-se. E foi exatamente isso que aconteceu quando o toque de Graziela rasgou o cansaço como um fósforo aceso na escuridão. A noite não começou. Despertou.

Ela não precisou de dizer nada - nunca precisou. O corpo dela, esse traidor elegante, já dançava ao som da música ambiente do bar, ondulando com uma sensualidade despreocupada, como se o mundo fosse apenas um detalhe irrelevante. Havia ali uma espécie de convite primitivo, quase insolente, que me obrigou a perguntar - mais por protocolo do que por necessidade: “Queres ir dançar?”


Ela levantou-se com aquele meio sorriso que mistura ironia e ternura, e respondeu: “Uff… demoraste tempo em convidar-me.” E fomos. Não muito longe do hotel, mas suficientemente distante da realidade para parecer outro planeta. O lugar respirava romance: luz quente, sombras suaves, e música italiana - daquelas que não se ouve, sente-se. Entrava pela pele, mexia no peito, desarrumava memórias que nem sabíamos que tínhamos. Era como voar de asa delta sem saber onde aterrar - e, honestamente, sem querer aterrar.

Entre a cerveja ainda fria nas mãos e o calor absurdo dos corpos colados, o silêncio instalou-se. Mas não era vazio - era pleno. Porque há momentos em que falar seria quase um insulto. Os gestos, esses, gritavam tudo: os dedos que se encontram, os olhos que evitam para não dizer demais, o riso que surge sem motivo aparente.

E depois, como sempre, veio o inevitável - o cansaço, o sono… e aquela saudade antecipada, essa ironia cruel de sentir falta enquanto ainda estamos lá. Talvez seja isso que torna certos dias eternos: o facto de sabermos, no fundo, que não se repetem.

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Não me lembro de ter tirado a roupa ao chegar ao quarto. Não me lembro de quase nada, na verdade - exceto da música. Aquela música. Como uma cereja perfeitamente colocada no topo de um dia improvável. Fechei os olhos com ela a envolver-me, e adormeci com a sensação absurda de que, por uma vez, tudo fez sentido.

No dia seguinte, esperava-me uma longa viagem até Turim. Mas, honestamente, há viagens que começam muito antes da estrada - e terminam muito depois do destino. Porque há noites que não passam… ficam a viver em nós.

Diário de uma viagem – 123 dia 

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